23 de set de 2009

A acomodação elétrica

Postado por Costela


É inegável o fato de que um dia sem luz preso num apartamento é um dia muito chato. Acabei de chegar do cursinho, e assim que liguei meu notebook explodiu um transformador aqui perto de casa. Para a minha sorte não queimou nenhum dos pertences da família. Meu som continua inteiro, e a minha TV provavelmente vai voltar a mostrar um monte de gostosas rebolando até o chão os documentários da Discovery Channel quando a luz voltar. Neste exato momento estou escrevendo este texto com os últimos suspiros da bateria do meu laptop, que deve se esvair dentro de poucos minutos.
Como eu citei acima, nós vivemos em uma era totalmente condicionada à energia elétrica. Mesmo meus pais que quando pequenos faziam uma infinidade de coisas quando a luz acabava, foram dormir por que não tem nada para fazer. E as horas de papos jogados fora? E as brincadeiras entre família tão comuns em dias de sol no parque? Será que isto não pode acontecer só por que estamos presos em um apartamento, e não ao ar livre?
Estou há vários minutos tentando pensar em algo pra fazer nesta escuridão que tomou conta da minha noite, mas nada realmente interessante vem à minha mente. Pensei em ler, mas a luz da vela vai me deixar bem enjoado. Pensei em comer, mas estou precisando REALMENTE perder alguns quilos. Pensei em ir comprar uma coca-cola pra família, mas a idéia de subir 9 andares com a coca-cola na mão não me agrada nem um pouco. Na verdade tem coisas pra fazer sim, mas nada que seja realmente interessante e vença a mãe de todos os sedentários, a Preguiça.
Uma das coisas boas de ficar sem luz é acender velas pela casa inteira, e ficar olhando o movimento do fogo. Essa movimentação bruxuleante é extremamente hipnótica. Eu sou capaz de ficar horas olhando para esta pequena chama acesa alimentada por parafina derretida. Como meu irmão acabou de dizer, fogo é energia pura. Será que fogo é energia, ou são partículas energizadas? Isso eu não sei responder.
Outra coisa legal é observar as poças de parafina sólida que se formam quando a vela acaba. Formas bizarras são formadas por estas poças, e é bem bonito o resultado de velas de cores diferentes queimando no mesmo prato. Dá até pra fazer obra de arte.
Mas parafina derretida não produz só coisas bonitas. Já se queimou de verdade com “choro” de vela? Dói de verdade.
Outra coisa que me encuca é a facilidade que as pessoas tem para reclamar das coisas. Aqui em BH não chovia de verdade há 6 meses, e todos estavam reclamando que o tempo estava seco. Só que foi só chover um dia e as pessoas reclamam que a rua tá toda molhada, que o ponto de ônibus fica insentável ( hã? ) porquê está encharcado, e caem árvores e consequentemente a energia dos nobres contribuintes desta nossa belíssima e garbosa nação. Se decidam pessoal.
Eu não me recordo a última vez que ficamos várias horas sem energia aqui na área. A Cemig é uma excelente provedora de energia elétrica, e sempre foi bem eficaz no religamento da energia. Entretanto eu acho que dessa vez deva demorar, pois por mais rápidos que eles sejam, trocar um transformador não é nada fácil. E por sinal a explosão do transformador foi uma coisa linda. Subiu um arco elétrico enorme bem acima do poste, e fez a noite virar dia tamanha a luz emitida. E o som também foi muito legal. Primeiro um estouro, e depois o barulho característico, bem parecido com uma mosca zunindo dentro do seu ouvido.
A eletricidade é realmente fascinante.

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