21 de set de 2010

Malditas caixas metálicas

Postado por Costela


Uma das coisas que me deixa extremamente desconfortável é a cordialidade de elevador. Sempre que entramos em elevadores, instantaneamente surge uma lisura e uma educação que muitas vezes não condiz com as pessoas presentes. Ás vezes desço de escada para não ter que participar daquele rito ridículo de entrada no elevador. Todo mundo segura a porta para o próximo entrar, fica ali esperando pra ver se vem mais alguém, e toda aquela baboseira. Queridos leitores, não achem que sou mal-educado, mas na maioria das vezes a pessoa está fazendo isso de má vontade, impulsionado pela cordialidade de elevador. Em muitos casos estamos atrasados para fazer algo, mas nos prendemos ali uma fração de minuto só para não fazer feio. Fazer feio para quem? Sinceramente não sei.

Se entram você e aquela velha do 704 que você não suporta desde pequeno, automaticamente uma educação artificial se faz presente. Você diz “Ei dona (insira aqui o nome da velha que tem cheiro de gato). Tudo bem? Como anda aquele seu neto o (insira aqui o nome do pivete que quebrou o seu PSP achando que era um minigame de R$ 1,99) ?” e ela responde “Está lá em casa. Você nunca mais apareceu para comer meus biscoitos de aveia com grão de bico. Me liga qualquer dia que eu asso para você”. Ô raiva! Eu nunca gostei de você, nem do seu neto e muito menos dos seus biscoitos sabor corda de sisal. Não precisa ser educada comigo. Eu sei que também não preciso, mas parece que tem alguma força sobrenatural agindo dentro do elevador, e impede que eu arranque minha caneta da mochila e enfie naqueles óculos de fundo de garrafa.

Outro exemplo é na hora de apertar os botões. Entra o motoboy com a maior mochilona no elevador, fedendo a suor com chuva e fuligem de trânsito. Nú! É aquela esfregação pra deixar o paladino-do-asfalto entrar e apertar o último botão lá de cima. Ou isso ou as pessoas se incomodam umas às outras. “Aperta o quadragésimo nono faiz favor”. Dá vontade de responder “NÃO!”. Simples assim, um não bem redondo e alto.

E quando alguém peida? Minha nossa senhora do perpétuo socorro salvadora dos esquilos dourados, é um Jah Rastafári nos acuda. Qualquer um fica sem graça numa situação dessas, mas ninguém deixa o outro perceber, pois todos querem manter a pose. Todo mundo quer respirar aquele pouquinho de ar que ainda não está verde devido à flatulência carregada de enxofre que mais parece gás-mostarda. Aquilo corrói o seu pulmão de uma maneira, que você deseja do fundo das suas entranhas que o elevador chegue logo no destino para que você possa absorver um pouco de ar limpo. O pior é que sempre olham para o gordinho quando alguém peida. Fato: toda vez que alguém peida a culpa é do gordinho. Não importa se tem um mendigo fedendo álcool de posto no elevador, ou um velho com cara de tarado, a culpa é sempre do gordinho. Eu sei pois passo por isso constantemente, mas como bom gordinho que sou, aproveito e solto uma bufa alta na hora. Já que me nomearam como peidônça, o que resta fazer é aproveitar a fama e traumatizar o ambiente.

Só quem tem cachorro sabe o quanto é desagradável descer com o melhor amigo do homem pelo elevador. Tá bom que a maioria dos prédios proíbe a entrada de animais nos elevadores, mas alguns ( pelo menos os meus ) não incomodam ninguém. A minha cadelinha fica no meu colo, de coleira, não mexe com ninguém e ainda tem quem olha com cara feia. Tá bom. Eu sei que estou errado de infringir uma lei do condomínio, mas também não é para tanto. Parece que algumas pessoas ficam doidas pra pedir que você saia do elevador para elas entrarem, mas não fazem nada exatamente por conta daquela falsa educação que me referi acima.

Já ouviu alguém dizer que os elevadores são o meio de transporte mais seguro do mundo? BALELA! Aposto que todos os dias dezenas de pessoas enfartam em elevadores por não conseguir suportar a pressão de manter a falsa educação para com os seus inimigos. Mas não tenho muita certeza deste dado, pois nunca ouvi ninguém dizer que alguém morreu de elevador. Já aconteceu de elevadores caírem, mas aí a culpa é da gravidade, e eu vou defender o elevador. Coitado, ele não tem culpa de nada. NOT! Aposto que ele premeditou matar quem estivesse dentro dele naquele momento. Ele é um ser vil e cruel.

Na minha humilde opinião ascensoristas deviam ter um piso salarial de 40 salários mínimos. Os caras tem que ficar o dia inteiro no elevador aturando tudo o que eu citei acima e coisas piores ainda. Alguém agüenta mais de meia hora ouvindo aquelas malditas músicas de elevador? A coisa varia de música clássica do caminhão de gás à Elton Jhon passando por 99.1FM e BeeGees. Para mim profissionais que trabalham dentro de elevadores são monges budistas que já atingiram o Nirvana e decidiram voltar para compartilhar da sua sábia experiência paciênciolística (ahn?) com os mortais. Ou então são E.T.s enviados pelos donos das galáxias para medir a paciência humana, e coletar dados para um futuro ataque de conquista mundial.

Eu fico doido pra alguém fazer falta algum desaforo comigo no elevador, pois daí terei enfim a chance de liberar o berserker que existe em mim, e descontar toda a raiva que já senti dentro destas malditas caixas de metal.

Nenhum comentário: