14 de set de 2010

Vamos falar sobre eutanásia

Postado por Zoi de Tandera


Era uma vez um francês e um chinês. Um belo dia, o francês ligou para seu amigo chinês e perguntou:
- Hey cara, onde você está?
- Eutanásia!

RRÁ!!!

...

Piadas ruins à parte, a eutanásia é um assunto polêmico, e infelizmente considerado tabu pela maioria. Mas dentre os assuntos polêmicos, a eutanásia tem um "extra" que os outros não tem: Todo mundo, quando questionado sobre o aborto, fala se é à favor ou não. Se questionado sobre a pena de morte, fala se é à favor ou não. Já com a eutanásia, só se ouve um grande e sonoro "Depeeeeeeeeeeeeeeeeeeeende..."


Máquina para realização de operações de eutanásia. Seria um artefato de libertação ou de condenação?

Resumidamente, a eutanásia (do grego "boa morte") é a interrupção proposital da vida de um doente terminal ou incurável de maneira assistida por um profissional treinado para tanto, a fim de abreviar o sofrimento físico, mental e social do enfermo.

Existem dois tipos de eutanásia: a eutanásia "ativa", onde é traçado um conjunto de ações, combinadas entre o enfermo e o profissional que vai levar a termo o ato propriamente dito e a eutanásia "passiva", onde são suspensos todos os cuidados médicos e farmacológicos do enfermo, até que este venha ao óbito. Não é feito nenhum ato para prolongar a vida, nem para interromper, por isso é chamada de "passiva".

Existem duas linhas de pensamento à respeito da eutanásia (bem óbvias, diga-se de passagem): o movimento pró e contra eutanásia.

O movimento pró-eutanásia se baseia no argumento principal que a eutanásia é uma forma de reconhecer a dignidade humana, uma vez que não faz sentido continuar mantendo artificialmente uma vida, sendo que esta se resume à sofrimento físico e psicológico. Ou seja, a eutanásia seria uma espécie de "saída final de emergência".

Também se baseia na teoria de que cada ser humano é senhor do seu próprio destino, e portanto é o mais qualificado para decidir se decide prolongar ou não sua própria vida.

Outro forte argumento é que manter doentes comprovadamente terminais desenganados pelos médicos que desejam morrer representa um gasto alto para os cofres do governo, uma vez que este dinheiro poderia ser investido na saúde, a fim de tratar cidadãos economicamente ativos, e também evitar, por meio de medidas profiláticas que estes cheguem ao ponto de representarem gastos ao governo. Crudelíssimo, mas verdadeiro!

Os defensores da eutanásia também se baseiam em termos legais que fomentam a decisão da interrupão voluntária da vida: No Brasil, normalmente é apontado como suporte a essa posição o art. 1º, III, da Constituição Federal, que reconhece a "dignidade da pessoa humana" como fundamento do Estado Democrático de Direito, bem como o art. 5º, III, também da Constituição da República, que expressa que "ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante", além do art. 15 do Código Civil que expressa que "Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de morte, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica", o que autoriza o paciente a recusar determinados procedimentos médicos, e o art. 7º, III, da Lei Orgânica de Saúde, de nº 8.080/90, que reconhece a "preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral".


Esta filmagem mostra prisioneiro de guerra americano na Guerra do Vietnã que foi resgatado das mãos dos Vietcongues após 8 anos de prisão (sendo que 4 destes foram na solitária). Visivelmente pertubado, ele não falava ou estabelecia com ninguém nenhuma forma de comunicação, até que um dia ele se comunicou em Código Morse, por meio de piscadas, o que havia acontecido: ele "falou" a palavra TORTURA. Não tem relação com o assunto da postagem, mas mostra a capacidade humana de se comunicar. Ou seja, até o mais terminal dos enfermos ainda pode expressar suas opniões.

Já a vertente contra-eutanásia apresenta as seguintes teorias: a eutanásia é vista, pela óptica religiosa, como uma usurpação do direito do controle à vida humana do próprio Criador, sendo este um direito exclusivo Dele.

Outro argumento forte é que, todo médico, na ocasião de sua formatura repete o milenar Juramento de Hipócrates, onde o recém formado reconhece a vida como um dom sagrado, e jura que não será juiz sobre a vida ou morte de ninguém.

Também citam que a lei não especifica a eutanásia, mas diz que o homicídio é a extinção antinatural da vida. Ou seja, pela óptica jurídica, a eutanásia é crime.

Outro fato é que, mantendo o enfermo em um estado de distanásia (prática pela qual se continua através de meios artificiais a vida de um enfermo incurável) é que, futuramente, a ciência descubra uma forma de sanar a enfermidade deste, livrando-o da necessidade da eutanásia.



Na minha humilde opnião, a eutanásia devia sim ser legalizada e regulamentada. Não faz sentido dar continuidade a uma vida humana se esta se resumirá a sofrimento e dor em um leito de hospital.

Às vezes, os familiares se apegam ao enfermo e fazem de tudo para que ele continue vivo, levando uma meia-vida degradante e desgastante tanto para o doente quanto para os familiares. Tudo por causa de egoísmo. A eutanásia, ao meu ver, representaria uma libertação, tanto para o enfermo quanto para seus entes queridos.

Apesar de ser à favor da eutanásia, sou à favor mais ainda da humanização desta prática. Como? Proibindo a eutanásia passiva. Neste caso, os médico tão somente desligam o fornecimento de medicamentos, água e nutrientes, e a pessoa definha até a morte. Sem anestesia, sem coma induzido, nada. Só a perspectiva da aproximação da morte.
Não vem ao caso, mas presos condenados à injeção letal recebem primeiro uma dose cavalar de anestésico geral, apagam e depois recebem a agulhada mortal. Porquê um criminoso que vai pagar seus crimes com a vida recebe um tratamento mais humano do que alguém que decidiu morrer dignamente, ao invés de ficar definhando e apodrecendo em um leito de hospital?

Mas por outro lado, talvez a banalização da eutanásia culmine numa banalização da vida, muito superior à que vivenciameos nos dias de hoje. Imagine a cena: alguém descobre um câncer maligno, e amedrontado com a simples perspectiva de definhar e sofrer pede a eutanásia. Parece forçado, mas não me parece impossível. Talvez a banalização desta prática a transforme de "método final de libertação" para "suicídio assistido por médicos".

Remelentos, sintam-se à vontade para apresentar suas opniões e seus argumentos pró e contra eutanásia no espaço para resmungadas.

Um comentário:

Anônimo disse...

ler o zoi de thundera escrevendo é mto bom. parabens. continue assim que os textos estao otimos.