25 de set de 2010

Vamos falar sobre trotes universitários

ostado por Zoi de Tandera



Todo ano é a mesma ladainha: universitários veteranos de grandes universidades federais ou particulares humilham estudantes novatos (também chamados de "calouros" ou "bixos burros") em rituais de iniciação vulgarmente chamados de "trotes", onde os novatos são obrigados a se submeter às mais degradantes situações, como rolar na lama, nas fezes de animais, apanhar, beber forçadamente, pedir dinheiro e várias outras coisas.

Algumas vezes as coisas saem do controle, pessoas se machucam sério, rola abuso sexual e até mesmo mortes. Morte! Morrer por causa da incosequência de uns imbecis que querem pagar de fodão. Imagina só como fica pra família: depois de ver o filho ralando meses e meses, se fodendo de estudar pra fazer uma merda de prova foderosamente difícil, descobre que ele passou, e comemora. Dias depois, descobre que ele morreu, vítima dos seus futuros colegas. Simples assim. Uma vida jovem e promissora ceifada por imbecilidade.

Mas o trote não é atual. Ele vem desde as mais antigas universidades medievais. O novato (chamado de "neófito" na época) normalmente não era tão sofisticado quanto os veteranos. Então, os estudantes mais velhos "domesticavam" os novatos, cortando-lhe os cabelos, a barba, todos os pelos do corpo, abusando sexualmente dele, obrigando-o a comer fezes e, por fim, o agredindo brutalmente. Só acabava na hora que o novatos jurava que iria fazer o mesmo com os outros novatos que entrariam a partir daquele momento. Ou seja, um círculo vicioso!

No Brasil, o clássico é raspar a cabeça e pintar o calouro. Até ai tudo bem, desde quando feito com segurança, sem violência e de forma consensual. Mas aí começa a sem-noçãozisse.

Tem uns trotes onde os caras são obrigados a rolar na lama. Comer carne crua e/ou estragada. Pedir dinheiro no sinal. São obrigados a beber. Levam choques elétricos. São banhados com substâncias irritantes e corrosivas. São amarrados e jogados em piscinas. São espancados. Morrem.

Lembro uma vez que passou no Fantástico um caso onde os veteranos alugaram um sítio e "obrigaram" os calouros a pagarem R$200 para entrarem em uma suposta "festa de confraternização" que lá seria feita. Porém, o que aconteceu lá foi um trote monumental. Cuspiram cerveja na galera, obrigaram eles a comer fígado cru, bateram neles, jogaram limão neles em pleo dia de sol, obrigaram os novatos a comerem comida podre e muito mais.. Os caras ainda picharam em um muro perto da universidade "Se chorar, vai ser pior". Alguns novatos disseram que, quem não fosse, não poderia assistir algumas aulas do curso (!) e ainda sofreriam constrangimentos diversos.

Por um lado, acho que foi sacanagem, os novatos foram enganados e sofreram assédio moral. Mas por outro lado, eles PAGARAM pra ir apanhar! Caramba, pagar caro desse jeito pra ir pra um lugar apanhar? O que que essa galera tem na cabeça?

Isso nos leva à outra característica interessante sobre o trote: os veteranos dizem que "quem não toma trote não vai fazer amigos dentro do curso". Mas peraí: os alunos estão indo lá pra estudar ou pra fazer amigos? Ter amigos é sempre bom, mas não é seu objetivo principal ao adentrar na faculdade. O objetivo é se formar, com ou sem amigos. Mesmo porquê amigo de faculdade é a coisa mais etérea do mundo. Antes da formatura todo mundo é amigão B-F-F 4EVAH, mas depois de dois meses ninguém mais se lembra dos colegas. E isso é um fato incontestável.

Quando eu passar no vestibular e chegar o dia de fazer a matrícula, e os veteranos chegarem me xingando de calouro e bixo burro, vou me limitar a falar pra eles o seguinte lema:

QUER DAR TROTE, TENTA A SORTE
Pode bater à vontade, mas não deixa eu te pegar sozinho na quebrada



Olha que bonito os sapatinhos que estarei calçando no dia. Agora imagina uma voadora na nuca de um veterano vacilão com os dois pés enfiados nelas. Vai deixar marca, e de quebra ninguém vai ser homem de encostar em mim. E o bom é que coturno é resistente, ou seja, vai ter botinada pra todo mundo.

5 comentários:

Thiago disse...

Cara, qdo eu tava c cabelo grande, fikava horas e horas tramando coisas pra burlar o trote e o TG asuhasuhas, a idéia mais viável pro trote foi levar um canivete, e o cabelo grande ajudaria mantê-los um pouco mais lonje, com um canivete na mão então... auhasuashuas

í-n-e disse...

Veeei graças a Deus não fizeram nada a nós, tipo eu já tava preparada pra quebrar o pau,o ruim é que logo de cara tem festinhas(não fui e não irei, a qualquer momento podem zuar com agente HAUHAUh) aulas de campo e tals e agente vai com o pé atras porque não sabe de fato o que pode acontecer.

Lucas AeR disse...

Trote na minha faculdade é jogar o jogo do E.T. pra Atari! :]

Anônimo disse...

Você é uma pessoa ridícula e não tem idéia da merda que tá falando... Sou "veterano" do quarto ano de uma das universidades mais bem conceituadas do país. Sofri trote e não foi nem perto do que vc está dizendo. Pular na lama, pegar dinheiro, ser pintado, ter cabelo cortado, servir cerveja por um tempo. Fiz tudo isso e o preço de volta foi conhecer um numero imensamente maior de pessoas, pessoas essas que eu realmente não conheceria caso tivesse sido avesso ao trote. E caso você diga que não valem a pena essas amizades existe uma coisa chamada network e não há duvidas de que todos os que o tem estão BEM na sua frente. Concordo com vc no ponto em que realmente existem pessoas que abusam desse titulo de "veterano" mas isso não é nem de longe maioria e não há porque ser tirado como base para todos. Ver na tv e falar que é aquilo é facil.

Espero que vc tenha sorte na sua faculdade mas realmente... eu não acho que iria querer vc como amigo.

Anônimo disse...

Anônimo Fresco!