11 de out de 2010

O mineiro e a macumbofobia

Postado por Zoi de Tandera



CHUTA QUE É MABUMBA!!!

Eu não sei quanto ao povo do resto do Brasil, mas o povo mineiro, em especial os belohorizontinos sofrem de um mal secular e hereditário, fortemente arraigado às raízes culturais de todos os montanheses de todas as classes sociais, etnias, credos e sexos: a macumbofobia.

Não, o povo mineiro não tem preconceito em relação ao Candonblé e às outras religiões oriundas da África, muito pelo contrário, aqui existem vários centros onde estas religiões são praticadas e respeitadas. Eu pessoalmente fui em um desses quando era garoto, pra ser benzido contra cobreiro, e muito provavelmente levarei meus filhos em um , quando os tiver. O povo mineiro tem medo das macumbas de rua (que em outros lugares são chamados de "trabalhos" ou "despachos").

Pra você ter uma idéia do medo, vários mineiros devem estar lendo este texto agora, e entre uma mordida e outra no pão de queijo e um gole e outro na canecona de café com leite com três dedos de nada, estão tremendo nas bases e dizendo "Nú! uai, sô, ess zói d'tandera deve de tá ficanu lôcu, queru só vê quandu ele pegá um ôns pa saváss e tivé lá uma macumba, queru só vê quequiele va rrumá da vida, sô! Que nó me proteja!", sendo que "nó" significa "Nossa Senhora das Graças!" e "nú" significa "Minha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, concebida sem pecado, interceda e rogue por nossas pecaminosas e condenadas almas!"

Claro, se você ver um prato de farofa com um charuto queimando e um galo preto degolado numa encruzilhada de terra numa sexta-feira 13 você vai dar a volta, mas o mineiro tem um medo quase patológico disso.

Um toco de vela queimado na rua, um pedaço de fita numa árvore, um envelope com uma carta dentro na sarjeta, uma faca velha cravada na terra, uma rosa morrendo na calçada, um sapo, cachorro ou gato morto, um simples rasgo de pano preto e jogado em um canto ou um punhado de gravetos arrumados de forma especial já são o suficiente pra causar pânico generalizado e caos urbano.

Agora, imagina um mineiro, depois de comer sua pequena cota de trinta pães-de-queijo e três queijos minas diários no café da manhã, quando abre a porta, vê na entrada de casa uma panela de barro cheia de farofa, pinga, galinha e flores. Sério, acho que o cara entra em casa e não sai de lá nunca mais!

Lembro que um amigo meu deixou de jogar, no Counter Strike, a fase cs_rio, porquê nela tem um cartaz em um barraco que parece com um daqueles que tem na rua "trago a pessoa amada em três dias, jogo cartas, búzios, tarot, bingo, biribinha, truco e winning eleven". É, chega à esse nível mesmo por essas bandas.

Outro dia aqui perto de casa aconteceu uma parada esquisita: montaram tipo um altar com papel laminado e lá tinha um monte de coisa, com uma plaquinha escrita "Venho aqui todo Sábado". Obviamente, os mineiros da região davam a volta na rua perto desse altar. Este ficou lá por uma semana, e no Sábado este altar estava todo queimado, mas carbonizado mesmo, reduzido às menores cinzas, como se tivesse sido queimado por um lança-chamas carregado com Napalm americano. Bizarro, não?

Obviamente você, querido leitor não-montanhês, já deve ter notado que os mineiros comuns são incapazes de tocar numa macumbinha. Isso nos leva à outro fato notável: os garis mineiros são IMUNES aos efeitos do que poderia acontecer ao tocar, ou pior, limpar uma macumba da rua. Também, os caras já devem estar acostumados. Acho que no imaginário mineiro, a SLU (Sistema de Limpeza Urbano) deve ter assinado um convênio com as forças religiosas superiores para proteção dos seus empregados.

Postado por Zoi de Tandera

Enquanto eu estava escrevendo este texto, o Blogger apresentou um monte de problemas sistêmicos, apareceu a tela azul do Windows, meu laptop desligou sozinho ligado na tomada e com a bateria cheia e conectada, a Internet caiu só no meu pc e estou todo me coçando. Como bom mineiro que sou, agora estou me cagando. Se eu desaparecer misteriosamente, rezem por mim!

Um comentário:

Marcello disse...

Cara, na boa chorei de rir agora.